29.1.09

Todo o Homem É Natureza

Este mundo imper-feito, porque ainda inacabado, em auto-criação, está pela Hora da Morte.
O que se faz perante a morte? O que se faz perante a vida?
Deixa-se acontecer, naturalmente.
O que nos espera, isso o que importa: o renascer, ou o supranascer.

O Mundo Chama pelo Homem Novo.

De onde nasce/se cria a (nossa) vida?
De Nós, da (nossa) Natureza.

Venha, enfim, Portugal, a Nação mais Encoberta do mundo, nEla se descobrindo o verdadeiro inter-ior do mundo... o exterior.
O exterior: Mudo.

Toda a criação do homem não é senão re-nascimento*.
Toda a cri-ação humana: ação, acontece, portanto, involuntaria-mente. Ou, para além de voluntária, toda a ação humana é natural: todo o Homem É Natureza*.

«Na nova poesia portuguesa todo o amor é além-amor, como toda a Natureza é além-Natureza
Fernando Pessoa, A Nova Poesia Portuguesa



A Voz do Eterno Novo Portugal

Natureza - o conjunto de coisas que existem (...«mundo»...) seus princípios constitutivos essenciais. A íntima conexão entre totalidade e essencialidade é expressa de modo significativo pela própria etimologia da palavra ('natureza' deriva do verbo latino nasci 'nascer', homónimo do verbo grego physein 'ser gerado'): todas as coisas, quando nascem, realizam-se sempre segundo uma sua característica própria e imanente. (...) a palavra 'nação' (latim natio) tem a mesma origem de 'natureza': significa nascimento. (...) a natio, unidade de todos os seres que têm vínculos de parentesco, a natureza, unidade de todos os seres que surgiram sobre a Terra (...).
(...) manifestação característica da natureza: a sua espontaneidade, originária e não deformada, a que o homem deve aderir como modelo de realidade e de verdade.»
Enciclopédia Einaudi, INCM (1990)

«Sto. Agostinho, p. ex., aproxima natura de essentia, esse, substantia (N., essência, ser, substância), no texto seguinte: "Porque N. (natura) não é mais do que aquilo que é no seu género (...). E assim aquilo que nós por uma palavra nova, derivada de ser, chamamos essência (...) - a qual também muitas vezes denominamos substância -, os antigos, que não tinham estas palavras, em vez de essência e substância chamavam-lhe N. (...). Essentia conserva aqui o sentido original de o que verdadeiramente é, o núcleo ontológico, a fonte de que nasce tudo o mais."
(...) Como dizia Aristóteles, N. é o princípio e causa do movimento e do repouso intrínsecos a cada ser.
(...) Com o cristianismo a noção de N. amplia-se para se aplicar a Deus (...).»
Enciclopédia Luso-Brasileira de Cultura, Ed. Verbo Lisboa (2001)

Conclusão desta lenga-lenga:

"(...) regressar ao Paraíso (...) ser o coração e a consciência do Universo: o sagrado coração e o santo espírito. Eis o destino do homem, desde que se tornou consciente. E tornou-se consciente, porque tal acontecimento estava contido nas possibilidades da Natureza. Sim, a nossa consciência é a própria Natureza numa autocontemplação maravilhosa. Ou é o próprio Criador numa visão da sua obra, através do homem."
Teixeira de Pascoaes, A Saudade e o Saudosismo

2 comentários:

BC disse...

Natureza é algo maravilhoso, ou algo que deveria ser maravilhoso se o HOMEM não a estraga-se a toda a hora.
As árvores continuam a crescer, as flores a despontar com suas cores echeiros maravilhosos.
Portanto pensemos no nosso mundo e façamos algo por ele, todos juntos.
Abraço
Isabel

Anita Silva disse...

A Natureza é bem mais forte do que o Homem, minha Amiga.

Ou melhor, a Natureza do Homem: o Homem é muito mais forte do que se acha.

Um Abraço!