6.2.10

(i)mu(n)do


Pouco dura

casca de árvore

largada aos elementos

úbere de antigos prantos

a pele revestida por dentro

do musgo do esquecimento

o estranhamento de mim

os dias são o resultado

duma combinatória sem nexo

a arte da atenção

o apego esventrado exposto ao sol

caracol com os cornichos ao sol

a infância toda precipitada das nuvens cinzentas

e o fim ali à mão de semear

tudo acaba na inversão das polaridades do espanto

não tem princípio o que de si nada espera

a vida é uma quimera de retalhos de momentos dissemelhantes

vai para Lisboa a carochinha rutilante num dia antiquíssimo de Primavera

E leva consigo todos os livros da estante impossível de ser eterno

voltará no Inverno para me segregar uma nova meninice

no secreto da esperança

os sapatos velhos que já não uso povoam caixas empoeiradas

de sonhos de ir além

todas as praias me rasgam no coração a miragem triste

de haver duas margens no amor e no engano que há em ser gente

e ser ninguém

o sopro que me anima é um arroubo cigano que me torna presente

a impossibilidade de ser mais que tudo o que não sou



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1 comentário:

José Bento disse...

Parabéns pelo trabalho. Te convido a seguir o meu VIDA VIVA POEMAS www.jbcontatos2.blogspot.com

Um abraço!