31.10.08

Amor à Vista

A mulher que não há começa em ti
Começa em ti a sempre tão ausente
a sempre tão distante e tão aqui
tão doente da partida e tão presente.

Começa em ti a sempre incomeçada
a que por nunca ser nunca perdi
a que era amor do amor: corpo de nada.
A mulher que não há começa em ti.

Começa em ti um tempo em que ajoelho
tempo de amar ou templo: terra e mar.
Meus olhos deslumbrados com Açores

a vista: eu que sou Gonçalo Velho
vivendo a glória extrema de chegar
às tuas ilhas direi de amores.
Manuel Alegre, Coisa Amar

2 comentários:

Corpos que Soñan disse...

Gostei muito, mas muito deste poema.
Difícil expresar mellor a saudade!!
Beixos.

Anita Silva disse...

:) eu acho que não expressa só a saudade... expressa mais, ou então, expressa a saudade no seu sentido maior.

Bico.