26.11.08


se amas
então sabe
que o amor não é uma prisão
não é uma fuga e um ermamento
se amas
o amor arde em ti
com toda a luz matinal
que te iguala aos seres alados do princípio
se amas
então a vida elegeu-te para o presente
e para a verdade
para a plena entrega ao que és
se amas
trazes em ti o sentido perene de tudo
vences a morte e a continuação
és maior que o espaço e que todo o querer
és todo o universo em prece e agonia
a alegria de não teres que ser
fonte de fresquíssima água de encontro e chegada
és mão que afaga
sorriso que escuta
soltura divina no coração da madrugada

1 comentário:

Vergilio Torres disse...

Olá Paulo, está tudo bem?
Deixa-me dizer-te, que aqui apresentas uma FOTOGRAFIA, uma fracção de movimento, o instante que nunca existiu... nem a gaivota, sem a sua sombra...
Para que se saiba, é espectacular a fotografia! A gaivota atravessou o campo de imagem do fotógrafo, não descolou de cima do bloco de cimento, como de imediato se supõe. No exacto instante da imortalidade, a ave deixou atrás do cimento a sua sombra, encerrando-a para sempre... É inconfundível o nascer do sol na lezíria!

Há uma grande diferença entre fotografia ao amanhecer e ao pôr-do-sol. Se não houver referências, existe um instante em que a intensidade de luz e a côr são as mesmas distando horas entre os dois fenómenos... Mas uma coisa é certa, são as duas belas. Enquanto que uma espera pelo adormecer da vida a outra acorda com ela...

Meu caro, espero que a foto esteja protegida, não só em termos de "compressão" mas como defesa do autor. É muito boa, deves sabê-lo. É um instante! Verdadeiro episódio que matemáticamente não existiu, porque não é possível parar essa quarta dimensão! A fotografia mostra-nos essa impossibilidade.
Não é necessária a crítica para uma fotografia destas. Temos as máquinas, sabemos as suas limitações...

Um grande abraço!

PS Acredita que vai demorar algum tempo até ser capaz de ler o que por baixo se encontra. Esta imagem pode levar muito tempo a ser respirada.