3.11.08

Vozes d'outros (2)

MANIFESTO ALQUIMISTA

“não escrevemos em vão.
os nossos companheiros ouvem-nos em qualquer parte do mundo.
com a aranha dos séculos tecemos as palavras do vento,
as constelações, as páginas da neve,os sonhos,
as flores azuis dos poemas, as armas das revoluções,
as democracias violetas, o caviar das nuvens,
a flecha branca dos cães.

no riso aberto da noite onde estamos, tu e eu?,
tu e nós?!

como o terror do dia é branco!
como os especialistas do poder são corruptos!
e abrimos as " portas" a todos!
- uns entram, outros saem, outros,
vendem-se sem vergonha nenhuma!

nós, os alquimistas, pisamos o chão com vírgulas e pontos de exclamação.
latimos com poemas aos clientes dos cinco continentes!
com olhos de crianças abrimos fendas nos livros,
e oferecemos as nossas palavras brancas às páginas negras das nuvens!
as nossas gargalhadas não constam nos dicionários das línguas
e são pertença de todos no mundo!

somos sacerdotes do planeta!,
sacerdotes sem um deus que nos contenha ou nos mereça!
podem rir-se de nós!, podem cortar-nos a cabeça!
podem apagar-nos dos bosques quando morremos!,
podem arquivar-nos em pequenos blogues!,
podem eliminar-nos da cibernética!
podem vigiar-nos com câmaras ocultas!,
podem oferecer-nos a eternidade dos países!
não queremos ouro corrupto!,
faremos sempre, de todos, os nossos poemas vivos!
com as nossas fortes palavras curvas
deixaremos nascer milhares de frutos virgens!

que os senhores de Roma sejam trazidos
à nossa presença de alquimistas!
connosco farão poemas relativos e curtos,
poemas encolerizados e pacíficos!

abriremos então fendas nos espelhos
com palavras novas !
somos insurrectos!
a nossa insurreição está em todo o lado da Terra.

pagamos com as estrelas do corpo
a vergonhosa diferença entre os homens,
a vergonhosa riqueza dos senhores do mundo!

podem até decepar-nos o tronco!
nascerão logo de seguida mais de cem poemas virgens !

é absolutamente necessário romper a inteligência
das palavras vendidas!
o planeta está em evidência!
as crianças exigem o novo riso e o novo amor!

o poeta vai e vem do outro lado do mundo,
e desfecha uma nuvem com palavras feridas!
é urgente matar a inteligência velha das palavras vendidas!

importa que os cães conheçam a palavra Amor!”


mariah
24/X/2008

1 comentário:

Anita Silva disse...

... que a palavra Amor conhece-se apenas ao ser vivida.

(voltando ao início: mesmo o "vão" da escada pode ser útil)
:)*