10.12.08

Dedicatória


Seres minha, sem ter forma; 

Teres um véu, meu sonhador...

Seres a luz do meu crepúsculo, 

Ser o céu, teu resplendor. 

Escolho-me hábil, sonoro, imerso. 

Trémulo peito, meu suor-frio. 

Sempre que pára viajo disperso,

Imagem silente, informe, vazio.

VT


3 comentários:

Paulo Feitais disse...

Caríssimo...
O poema é exaltante, não direi que me reconheço nele porque acho que, em certos momentos, estamos sós no mundo, ou vivemos o mundo a sós, no solstício duma primavera eterna que pode durar uns segundos, a mesma que inspira o poema, o que através dele se expira...
Quanto à imagem, vem "estranhamente" a propósito dum diálogo que venho estabelecendo com Isidore Isou, o pai do letrismo. Levar a letra ao máximo da expressão, a um excesso fonético próximo do paroxismo sonoro, há algo aí que agora me fascina, embora me irritem as egolatrias majestáticas, mas como nesse campo Isou está para além da hipérbole até isso parece perdoável.
Mas pronto, estou verborreico para lá do enfado.

Um abraço!
;)

frAgMenTUS disse...

bem, ao ler o comentário anterior quase me esqueci do q ía escrever...rs

heidegger refere, e mt bem, q a linguagem é doação de ser e partindo daí, este poema doa-se não só porque é uma dedicatória mas, acima de tuido, pk o poeta se doa a si mesmo em (auto-)reflexão e fruição estética do resultado obtido, divulgando-a ao mundo.trata-se, por isso, de um micro-cosmos que de difunde por tantos outras, assumindo amplitude e eu, agradeço a (re)leitura.

go for it, Vergílio!rs

(bem, não vais acreditar na palavra de acesso, ainda melhor q a outra - anatears...coincidencias?!...)

Vergilio Torres disse...

Paulo, obrigado pelas tuas carinhosas palavras. Escrevo tarde, peço desculpa.

A procura da linha, ou fio condutor é o que mais nos emociona, é certo. Talvez te revejas também nestas palavras. Para que não se pense o contrário, estética. E creio que também estas palavras te digam algo. Essa, é a dura procura... bem me entendes.

Nunca mais me esqueci de um comentário teu... É Vergílio Torres! Ao qual, em outra ocasião retribui, É Paulo Feitais! É um facto.

Dê por onde der, temos em frente uma estrada longínqua que nos levará por fim até ao palácio da caminhada.

Paulo, sempre, aquele abraço!
Felicidades e Feliz Natal!

À Fragmentus, dedico este sorriso :)