27.12.08

rota sem fim





a alvenaria de sal
que entorna o olhar que se aquieta
dá aos olhos sedentos
a miragem do infinito que não se vê
é miragem e perdição sem para quê
é estar rodeado de chão levedado de rumos
e não saber da vida mais que o obrigatório
solto mas estranho a todos a tudo desentranhado
uma despedida um grito na tarde que se esvai um canto incompleto
quem se pediu não se quer
e o mar tem um ventre de mulher a semear de treva a escuridão
é a noite absoluta que chama e a tudo resiste
tanta partida no lado de dentro da espera
que os ventos são ânsias que se levantam do fundo do tempo
largadas de depois e amargura florindo na carne sempre mansa
e lá onde nenhuma viagem alcança uma chegada cravada na continuação
os sonhos ganham o peso de um remorso de sombra e desolação
são abruptos os sinais sem referente
gotas de tédio que semeiam um silêncio azul em redor dos passos
calados de espaço e abismo no aqui onde as sementes implodem e se abundam no esquecimento
e tudo é o mesmo
a beleza também
desde sempre

1 comentário:

soantes disse...

Belo poema, profundo e sincero. São graças esses versos...