28.12.08

a casa, no meio da rota

2 comentários:

Paulo Feitais disse...

Caríssimo,
uma paisagem habitável, não só por causa da casa, mas porque as casas só são habitáveis se albergarem rotas, forem casulos para crisálidas de viagem. A casa é um embarcadouro, é de lá que as almas partem para cima, quando chegada a hora se dão à viagem suprema, também é uma barca, a casa, onde as travessias ganham sentido e só há regresso se houver casa, esse lugar dos lugares, onde a atopia do que somos se torna durável e ganha contristura e consistência. Só dentro da casa o choro se torna pranto e a saudade, acontecimento. por isso esse é o lugar próprio da solidão nefasta e não o ermo, propício à solidão que eleva e expande.
Agora não sei, amigo Soantes, graças a que sortilégio conseguiste (e o tu é dirigido à tua relaeza, os homens do povo eram os únicos que podiam tratar os reis por tu) colocar tudo isto numa fotografia. É a magia da fotografação! :)

soantes disse...

É a mágica do teu raciocínio, que agradeço. Ao ver aquela imagem intui uma série de sugestões, incluindo as que desenvolveste aqui. Sem o sentido espiritual para que alertas a arte não chega a ter beleza, torna-se um simulacro.