23.1.09

afloramento



o que se vê
proferência e alucinação
o verso com reverso e um depois
da realidade em continuação
da luz a completude irrequieta
nas formas o símbolo que se cala nas coisas
e lhes dá uma presença anímica
um resplendor sem interior ou exterior
tudo é o que não se esgota no que é
uma praia talvez de marés vivas inconstante
talvez uma amplitude que não se esgota
ou uma ilusão que em si se amplexifica
ser-se é uma etapa
antecipação no mergulho no tempo principial

7 comentários:

Vergilio Torres disse...

Na realidade, não são os olhos que vêem, mas sim o cérebro.
O exterior é tido como visível nessa invisibilidade que ao cérebro lhe concede forma e real percepção do real. A ilusão é então tudo o que é espelhado na irrealidade ocular pré-processada e institivamente assumida como tal.
A amplitude é imensa. Um comprimento de onda infinito, distanciado incompreesivelmente entre as duas cristas consecutivas. É um feixe linear, adimensional, que se comporta como tal, transformando a presença num registo simbólico da inexistência; e a forma, resultado de um processamento abstacto, sequencial, caoticamente ordenado, em registo virtual. Penso na distância compreendida entre ver e ver.

Amigo, divaguei...
Mas, a culpa :) é deste teu pensamento:)
Sublime na sua subtileza e sensibilidade.

Paulo, sempre, aquele abraço!

Paulo Feitais disse...

Oi vergílio!
E vou usar este teu comentário nas minhas aulas de psicologia. Estou precisamente a dar o cérebro e estas palavras vêm a propósito.
Gosto muito de explorar o paradoxo/dilema/problema do cérebro numa cuba do Putnam (para além de gozar com o nome hilariante do homem).
Abraço!

Anita Silva disse...

"Na realidade, não são os olhos que vêem, mas sim o cérebro."

Vergílio,
agora fiquei curiosa. Então, quanto ao toque, ao sentir, também é no sistema nervoso que se sente ou é na pele? (Ou nos dois?)

Apeteceu-me mudar parte da cara do blogue... manias. :P

Beijoca grande!

Vergilio Torres disse...

Na "realidade" Ana, também não tocamos nem agarramos nada! Ao nível do átomo, e na interface de duas superfícies, o que apenas se estabelece é uma interacção eléctrica. Não se trata de acreditar, ou deixar de acreditar, mas esta unidade fundamental é, tão-somente, vazio; a "parte" física que a constitui, o núcleo, não corresponde a 1% da composição total. O núcleo de um átomo está para a ponta de um alfinete assim como o diâmetro do átomo do qual faz parte, para o estádio do Maracanã (ou o de Alvalade :))...
Se pensarmos então nesta interacção eléctrica, e do que daí resulta, basicamente electricidade, será esta mesma conduzida via arco-reflexo através de neurónios sensitivos (com terminações situadas “à flor da pele”) que ao despolarizarem-se conduzem o impulso eléctrico à espinal-medula ou ao encéfalo (a massa cinzenta:)), que o "descodifica", reenviando essa informação (eléctrica) ao centro efector, via neurónio motor até aos músculos, ou outras quaisquer regiões-alvo.

O que é interessante, tal como a visão – e agora espero não estar a meter baldes de água pela escada a baixo – é que, se pensarmos numa picada, é quantificável o tempo de resposta ao estímulo, pois que toda esta via (arco-reflexo) se realiza... há um lapso de tempo em que o "cérebro" nem sabe o que está acontecer, até lhe chegar essa informação. Tal como a visão, pensemos na estrutura do globo ocular, na forma como é "captada" a Luz (energia), “transformada” em impulso eléctrico, o trajecto, a resposta, a noção da realidade visual.
Matrix… a par da experiência das sensações, "inovou" no campo do cinema abrindo quiçá horizontes para se questionar, ainda mais, esta "coisa" da realidade.

Bem vou ler isto outra vez, não esteja aqui uma valente calinada fisiológica, ou física... un moment...

….pode seguir :)

E… obrigado pela pergunta :), “re-estimular” a memória, “re-organizando” antigas vias de comunicação neuro-fisiológicas… chamemos-lhe, memória :)

Um beijo também para ti linda, e bom fim-de-semana! (na medida do possível, que esta ventania está para durar, e amanhã… neve!!! :))

Vergilio Torres disse...

Ahhhh!

PS - está gira a foto!! é tua... ;)
Abreijos!!

Anita Silva disse...

Vergílio,
Como o exterior é a expressão/revelação do interior, não sei se será possível "ver" qualquer separação entre eles... não sei. Mas mais importante de onde acontece o olhar/a visão ou o toque é mesmo eles acontecerem! ;)

Este crepúsculo (da foto) encanta-me e depois há o simbolismo desta nossa torre e o reflexo do céu (e do resto) no tejo...

Beijo*

Vergilio Torres disse...

Inspiro... Tejo,
expiro... saudade.

beijos