6.2.09

Meu coração não é português, mas Portugal!

O Mundo precisa de Portugal,
Portugal de cumprir-se Portugal!...

É a morte do Portugal-moribundo,
em vésperas de (re)nascer de si mesmo.


Oh pobre cabeça humana
e pensas tu que te controlas...
Se quando morres, dormindo,
é o coração que te embala,
se quando (re)nasces, acordando,
é o coração que te desperta.

É o coração que te pensa,
pois é ele que te cria mente,
inconscientemente.

«E a carne se fez Verbo
e o sangue ideia»
Manuel Alegre

«E vê que ele mesmo era
A Princesa que dormia.»
Fernando Pessoa, Eros e Psique

A Palavra «é fogo que arde sem se ver»:
a voz ecoa na mente, silenciosa, mas é o Ar (Vapor de Água) que rodeia o coração que expressa a ideia, a Palavra do Amor.

O homem é Natureza, porque é o seu coração, o Deus-coração, Criador de Vida, da Palavra.
O coração criador de si-próprio, porque é tanto a Lua, a Morte, quanto o Sol, a Vida.
Por nele se conjugar tudo...

O coração bombeia (toda) a Vida, espontaneamente, tal como o mar ondeia.

«Este som de o mar praiar
Onde é que está existindo?»

Que é o coração, que tudo é fora de si, que nada é em si?
Portugal.

«coração (...)
não portuguez mas Portugal.»
Fernando Pessoa

Onde o Tudo e o Nada se (re)encontram.

O órgão que naturalmente comanda uma sociedade equivale ao coração. Como atua ele? Espontaneamente, recebendo e reenviando o que recebe sem cessar.

Ninguém precisa de ser comandado, pois cada pessoa «é todo o mundo a sós», e ninguém comanda o mundo (ou a terra) senão ele a ele mesmo.
Ninguém precisa de gerir bens, porque, de modo real, todos os bens são de todos e de ninguém, ao não haver distinção entre os seres (por todos fazerem parte de um só indivisível). Como se fará a distribuição dos bens? Como é distribuído o alimento quando di-gerido pelo corpo?

Tudo se está juntando, tal como funciona o corpo do homem e o corpo da terra, assim funcionará o corpo social humano.

«Fazer uma famosa expedição
Contra o mundo rebelde, por que emende
Erros grandes, que há dias nele estão,
Amando coisas que nos foram dadas,
Não para ser amadas, mas usadas

Luiz de Camões

1 comentário:

Anita Silva disse...

Ups!, passei-me... p'ró Futuro (?).