7.2.09

nevoeiro



da bruma o som da interiorização das coisas
líquido e opalino infinito a espraiar-se na ausência de formas definitivas
os cumes são então planuras de frio e inquietação
o deserto de dentro entorna-se
o longe despido de miragens ou ilusão
só o pleno e a escuta em espiral marinha de espanto
tudo em tudo amplexo de antes juntando o que se esvai
o coração o transbordo do mundo o reverso da ausência
contemplação que se alarga
e sem colunas ou abóbadas
transforma o ermo no dentro seminal
onde até a respiração é uma oração vivida

3 comentários:

soantes disse...

Belo poema e boa imagem, que talvez dispensasse a figura humana.

Paulo Feitais disse...

É Soantes, mas a figura é dum amigo meu, ainda pensei, dado que é do Benfica, dar-lhe uma sapatada no traseiro que o atirasse para fora da paisagem... Só que depois ficava sem uma das criaturas que me aturam.
;) Mas também tenho a versão sem drome... quer dizer, sem benfiquista. ;)

Anita Silva disse...

Olha olha, se é adepto da Equipa da Luz está lá bem! :P