6.3.09

Todo o Homem é o Sol

Nunca ninguém viu o que sente: a sensação, o sentimento. Mas todos falam como se vissem (a voz só pode falar baseada no que é, sobre o que é), todos falam como se a sua voz fosse vista por si e pelos outros. Só que a voz é o sentimento descoberto, como o Sol é o Mar descoberto.

A Voz é a Luz da Luz, e tal como a Luz do Sol, não se vê, dá a ver.
O Sol nada é em Si, Tudo é fora de Si.

Bra-Sil, o (A)Braço de Deus-Sol. Revelação da Som-Bra Infinita do Sentimento Português, do Mar.

«O Senhor desnudou o seu braço diante dos olhos de todas as nações; e todos os confins da terra verão a salvação do nosso Deus.»
Isaías 52.7-10

«Morrer é regressar a antes de nascer...
Nesse plano é que Deus vive. E digo vive, na falta dum verbo original que exprima Deus em si ou Deus só Deus.
Apenas pressentimos esse plano. Ao pressentimento seguir-se-á o sentimento, e a este, o entendimento, a revelação plena da Verdade. E será o dia de Todos os Poetas. O dealbar desse dia já soa idealmente na Oração à Luz, o Canto mais alto do lirismo!
Se o nosso ser é um nascimento interrompido pela morte, Guerra Junqueiro continua a ser ou a nascer... Ouvimo-lo rezar a luz do Grande Dia. A sua voz doira o céu da Lusitânia, que lembra o céu da Grécia, o Olimpo de Hesíodo e Homero. Findarei, unindo os Hinos Homéricos às Orações Junqueirianas. Hinos cantados no berço do sol ou na Grécia; Oração rezada no túmulo do sol, que é a Ibéria. Temos a Grécia e a Ibéria, a Deusa e a Bruxa. O resto é indústria.»
Teixeira de Pascoaes, Ensaios de Exegese Literária e Vária Escrita

Do Dia 1 de Dezembro, do dia de Todos-os-Santos, da Descoberta da Terra de Vera Cruz, ao dia 21 de Dezembro, ao dia de Todos-os-Poetas, à Descoberta da Terra da Vera Luz - Lusitânia.

Oração à Luz

«Bendito o cristo-sol na cruz ardente,
monstro-mártir, que infinitamente
Por nós expira, soluçando luz! (...)
Luz que nos enches de alegria,
Luz que desvendas a harmonia,
Que és o esplendor e a cor da Natureza.
Farei de ti, luz de um só dia,
A luz perpétua da beleza!

Luz que iluminas a existência,
Luz que propagas a evidência,
Que dissolves o erro e a escuridade,
Farei de ti, da tua essência,
A luz augusta da Verdade! (...)

Farei de ti luz dum momento,
A luz eterna, a luz divina, a luz do Amor!
Farei de ti a luz do Amor que não se apaga,
A luz que tudo alaga
E tudo vê e tudo aquece. (...)

Luz onde tudo vai boiando imerso,
Luz Espírito e Alma do universo
Sol dos sóis, incriado e criador. (...)
Farei da cega luz que me alumia
A luz espiritual do grande dia,
A luz de Deus, a luz do Amor, a luz do Bem,
A luz da glória eterna, a luz da luz. Ámen!»
Guerra Junqueiro



É da Tristeza que nasce a Alegria sem fim. De Portugal, o Brasil.

2 comentários:

Paulo Alves disse...

Bemdito seja o mesmo sol

Bendito seja o mesmo sol de outras terras
Que faz meus irmãos todos os homens
Porque todos os homens, um momento no dia, o olham como eu,
E, nesse puro momento
Todo limpo e sensível
Regressam lacrimosamente
E com um suspiro que mal sentem
Ao homem verdadeiro e primitivo
Que via o Sol nascer e ainda o não adorava.
Porque isso é natural - mais natural
Que adorar o ouro e Deus
E a arte e a moral...

Alberto Caeiro


///


Quando subindo ireis ao eterno Templo;
Daqueles de quem sois senhor superno,
Mais do que prometia a força humana,
Musas, de engrandecer-se desejosas:
Almeidas, por quem sempre o Tejo chora
E aqueles que por obras valorosas
Os Doze de Inglaterra e o seu Magriço
Escura faz qualquer estranha glória;

Luís de Camões

Os Lusíadas
Canto I,12 (decifrado - Tom Proféctico)
9.ª estrofe

Anita Silva disse...

Assim seja!... como for. :)

Um Abraço.