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10.7.09
8.4.09
Chega de Saudade, Amor!

Saudade,
por Ti despertámos
a Luz da Memória
do Nosso Coração.
Mas chega a Hora
de nasceres
de Ti própria.
De Te chamarem
pelo Teu Nome,
Amor.
Pois o Teu Ver-bo,
Vênus,
Deusa do Amor,
não pode Ser
senão... (o) A-mar!
Vênus, em Português do Brasil, Vê-Nos, ou, Vê-Nus.
O Amor
não vê palavras,
apenas Seres:
por só Eles
poderem ser Amados.
Por isso que,
quando o Amor (se) pensa,
volta a ser o que já era
antes de se pensar
- Ausência:
mas quando o Amor pensa
no Outro,
É o Outro
- Presença.
Como pode, então,
o Amor não
ter Saudade de
Si: do Outro,
de Ser Amor!
A Saudade é a Ausência Presente;
o Amor a Presença Real.
O Amor é o Dia
da Noite da Saudade.
É o Amor que É a Saudade.
Amor, Só o que Somos.
5.4.09
Trovante - Por Ti-A-mor
«Cantemos (...) o que faz viver!»
Dalila Pereira da Costa, Encontro na Noite (1973)
Se cantámos por Timor,
como não conseguiremos nós
cantar pelo Nosso Amor Maior?
Pela Ilha do Amor
que desde sempre nos espera,
e pela qual a nossa Voz
des-espera:
e em Dor...
Deseja.
Em Saudade,
pela Nossa Idade,
a Terceira,
da Eternidade.
A que corre pelo nosso sangue
espiritual:
a do Espírito Santo.
A que cumprirá,
em Nós, Portugal!
«Não ouvimos música,
somos a música.
São golfinhos os novos educadores
com sua graça natural, com sua dança
que a morte não detém. Eles propõem MÚSICA.»
Dora Ferreira da Silva
Dalila Pereira da Costa, Encontro na Noite (1973)
Se cantámos por Timor,
como não conseguiremos nós
cantar pelo Nosso Amor Maior?
Pela Ilha do Amor
que desde sempre nos espera,
e pela qual a nossa Voz
des-espera:
e em Dor...
Deseja.
Em Saudade,
pela Nossa Idade,
a Terceira,
da Eternidade.
A que corre pelo nosso sangue
espiritual:
a do Espírito Santo.
A que cumprirá,
em Nós, Portugal!
«Não ouvimos música,
somos a música.
São golfinhos os novos educadores
com sua graça natural, com sua dança
que a morte não detém. Eles propõem MÚSICA.»
Dora Ferreira da Silva
Tipo de Jogo:
amor,
Deus,
Espírito,
História de Portugal,
Ilha dos Amores,
Música,
nós,
Poesia brasileira,
Poesia Portuguesa,
saudade
4.4.09
Além-Amar
A Rainha Morta - de Amor - e o Rei Saudade

«É a noite eterna de Alcobaça, recamada de estrelas acesas, com os túmulos de pedra a vogar no espaço galáctico, como dois invólucros astrais, enquanto cá fora se sucedem os anos, os séculos, os milénios, na esperança de que um dia possa raiar a madrugada do fim do mundo e a trombeta do arcanjo anuncie o final dos tempos.»
António Cândido Franco
A eternidade só poderia ser espelhada como tempo, sendo nesse espelho, visto ser Ausência (do tempo), que ela gradualmente se vai transformando, em Presença.
A mesma Força que a separou de si mesma, a reencaminha de novo a si. A Serpente-Saudade, quebradora dos laços da eternidade, em nome da Luz do Amor... é Ela a que desfia, fiando, a que desata, atando.
Unindo-os derradeiramente, em Glória.
O tempo que a memória guarda não é eterno, é, sim, ao tornar-se memória que o tempo se eterniza.
O Homem é o guardião da Árvore da Eternidade, ao converter em alma infinita o finito viver - o tempo. Dentro do Homem mora a noite eterna, porque é nela que este desde sempre mora (com as Mouras?).
O Amor é filho da Morte...
Como o Sonho é filho do Sono...
O Milagre da Vida,
o Mistério de Tudo.
Que no fim,
se resume a um Desejo que nos vence por completo.
O Amor só pode ser Além-Amor, porque a Morte é Além-Morte,
tudo é além de si, e só assim se pôde-pode revelar.
E a Saudade, Ela é já o próprio Além: o Além do Além, e não é isso que é ser, verdadeiramente, Aquém?
O Aquém-Mar, Portugal, que jamais se pode cumprir dentro dos limites que não há, somente para lá do ilimitado que tudo é.
Se somos nós os Criadores
do Amor,
como não Amar para lá do Amor?
Como não ser mais forte
que o Dragão da Morte?
Que a Eterna Morte, que nada é, senão em Nós!
Ahh!, tudo em mim se renova a cada instante,
como fugir do que nunca é o mesmo:
do que, não sendo, É?
É Amando para lá do Amor - em Amor Absoluto,
que a Morte é Amada para lá da Morte:
que a Morte mata sem matar.
Amar além do Amor é Amar além de-o ser Amado:
ao ser o Amado além de si
- ao serem ambos o próprio Amor.
«(...) quem guia a nau incerta muito além do vosso ousar é a Estrela que desperta vosso Amor-além-do-amar.»
Dora Ferreira da Silva
D'Alcobaça, metade de mim
(ou do que de mim ao meio se não divide).

«É a noite eterna de Alcobaça, recamada de estrelas acesas, com os túmulos de pedra a vogar no espaço galáctico, como dois invólucros astrais, enquanto cá fora se sucedem os anos, os séculos, os milénios, na esperança de que um dia possa raiar a madrugada do fim do mundo e a trombeta do arcanjo anuncie o final dos tempos.»
António Cândido Franco
A eternidade só poderia ser espelhada como tempo, sendo nesse espelho, visto ser Ausência (do tempo), que ela gradualmente se vai transformando, em Presença.
A mesma Força que a separou de si mesma, a reencaminha de novo a si. A Serpente-Saudade, quebradora dos laços da eternidade, em nome da Luz do Amor... é Ela a que desfia, fiando, a que desata, atando.
Unindo-os derradeiramente, em Glória.
O tempo que a memória guarda não é eterno, é, sim, ao tornar-se memória que o tempo se eterniza.
O Homem é o guardião da Árvore da Eternidade, ao converter em alma infinita o finito viver - o tempo. Dentro do Homem mora a noite eterna, porque é nela que este desde sempre mora (com as Mouras?).
O Amor é filho da Morte...
Como o Sonho é filho do Sono...
O Milagre da Vida,
o Mistério de Tudo.
Que no fim,
se resume a um Desejo que nos vence por completo.
O Amor só pode ser Além-Amor, porque a Morte é Além-Morte,
tudo é além de si, e só assim se pôde-pode revelar.
E a Saudade, Ela é já o próprio Além: o Além do Além, e não é isso que é ser, verdadeiramente, Aquém?
O Aquém-Mar, Portugal, que jamais se pode cumprir dentro dos limites que não há, somente para lá do ilimitado que tudo é.
Se somos nós os Criadores
do Amor,
como não Amar para lá do Amor?
Como não ser mais forte
que o Dragão da Morte?
Que a Eterna Morte, que nada é, senão em Nós!
Ahh!, tudo em mim se renova a cada instante,
como fugir do que nunca é o mesmo:
do que, não sendo, É?
É Amando para lá do Amor - em Amor Absoluto,
que a Morte é Amada para lá da Morte:
que a Morte mata sem matar.
Amar além do Amor é Amar além de-o ser Amado:
ao ser o Amado além de si
- ao serem ambos o próprio Amor.
«(...) quem guia a nau incerta muito além do vosso ousar é a Estrela que desperta vosso Amor-além-do-amar.»
Dora Ferreira da Silva
D'Alcobaça, metade de mim
(ou do que de mim ao meio se não divide).
Tipo de Jogo:
amor,
Eternidade,
História de Portugal,
Mãe-Terra,
mar,
Memória,
Poesia brasileira,
Poesia Portuguesa,
saudade
3.4.09
O Amor reflete a Morte: torna-a Imortal
O Amor, espelho da Morte, mata a Morte;
é dessa morte que nasce a Memória, que nasce a Saudade.
«Só na reflexão do espelho da água, ou do tempo que passa, se duplica e vem mostrar a eternidade: o céu se reflecte na terra.»
Dalila Pereira da Costa, Introdução à Saudade
A noite-morte eterna se duplica e se manifesta como dia-vida eterna.
é dessa morte que nasce a Memória, que nasce a Saudade.
«Só na reflexão do espelho da água, ou do tempo que passa, se duplica e vem mostrar a eternidade: o céu se reflecte na terra.»
Dalila Pereira da Costa, Introdução à Saudade
A noite-morte eterna se duplica e se manifesta como dia-vida eterna.
Tipo de Jogo:
amor,
Eternidade,
Memória,
Poesia Portuguesa,
saudade
23.3.09
A Ser-pente-Sol
«Aqui na Península [Ibérica], o Oriente e o Ocidente, a pré-história e a história, o mito e a razão, como coincidência de coordenadas de espaço, tempo e pensamento, no homem e na terra, se unirão no exacto ponto e momento de 1500. No ano de Pedro Álvares Cabral: esse será o sentido dessa falha ou união entre dois séculos; a descoberta do Brasil foi o fechar do círculo, conclusão do novo mar.
Mas agora outra vinda dos Descobrimentos se fará para os homens e para a Terra num homem e numa terra transcendentes, transfigurados, porque na vinda, baptismo no fogo, do Espírito Santo.
O espaço agora a conquistar será o transcendente interior, seu.
E agora pelo homem pelo Cristo novo, na sua Segunda Vinda, tudo passará de terrestre ao cósmico, transcendente.
Para a nova eleição e serviço duma nação, urge pela primeira vez atentar na sua posição no espaço da terra, por uma geografia sagrada. E na sua vinda no tempo, por uma história que nela também se veja de sentido sagrado. Ver aí a sua eleição e serviço, na intercepção do tempo e do espaço. Porque tudo se fará por uma nova visão de tudo que está dada mostrada já.
Seis séculos após, a verdade dos Descobrimentos se abrirá, se libertará. Como seis décadas após, Portugal se libertou do jugo castelhano. E após outras seis décadas, o anúncio da verdade pela Renascença Portuguesa, virá por fim à luz. Como germinações e eclosões de sementes escondidas.
E também então se revelará a verdade da saudade.
Saudade é a polpa do eu eterno.
Porque a saudade não é conclusa em si, mas seu sentido está no seu ultrapassar. Saudade é tempo de gestação.
E a terra finalmente como Virgem, subirá em Assunção ao céu.
E ver que união, como fusão final de fogo e água, se teria dado aqui nestas margens peninsulares: pelo afundamento do disco rubro do Sol, nas águas de Posídon, como fusão do deus dos povos da velha Atlântida e de Apolo o deus dos povos da Grécia (...).
A terra finalmente unida ao céu, ou Apolo a Gaia, ou a Serpente ao Sol, em enlace último, como promessa dum novo mundo, a nascer.
O ser saudoso é o ser livre na necessidade, o ser da eternidade no tempo. O que traz para a lei da terra a lei do céu. Ou a eternidade para o devir.
E assim ao discurso se substituirá essa supra-razão e a unidade do paraíso de novo será atingida.
(...) só, aí, na brancura cintilante e doce (a tal inefável), do seu seio último. Semente do fruto. Trono do mundo. Coração do homem.
A saudade é o segredo de Apolo.»
Dalila Pereira da Costa, A Nova Atlântida (1977)
Mas agora outra vinda dos Descobrimentos se fará para os homens e para a Terra num homem e numa terra transcendentes, transfigurados, porque na vinda, baptismo no fogo, do Espírito Santo.
O espaço agora a conquistar será o transcendente interior, seu.
E agora pelo homem pelo Cristo novo, na sua Segunda Vinda, tudo passará de terrestre ao cósmico, transcendente.
Para a nova eleição e serviço duma nação, urge pela primeira vez atentar na sua posição no espaço da terra, por uma geografia sagrada. E na sua vinda no tempo, por uma história que nela também se veja de sentido sagrado. Ver aí a sua eleição e serviço, na intercepção do tempo e do espaço. Porque tudo se fará por uma nova visão de tudo que está dada mostrada já.
Seis séculos após, a verdade dos Descobrimentos se abrirá, se libertará. Como seis décadas após, Portugal se libertou do jugo castelhano. E após outras seis décadas, o anúncio da verdade pela Renascença Portuguesa, virá por fim à luz. Como germinações e eclosões de sementes escondidas.
E também então se revelará a verdade da saudade.
Saudade é a polpa do eu eterno.
Porque a saudade não é conclusa em si, mas seu sentido está no seu ultrapassar. Saudade é tempo de gestação.
E a terra finalmente como Virgem, subirá em Assunção ao céu.
E ver que união, como fusão final de fogo e água, se teria dado aqui nestas margens peninsulares: pelo afundamento do disco rubro do Sol, nas águas de Posídon, como fusão do deus dos povos da velha Atlântida e de Apolo o deus dos povos da Grécia (...).
A terra finalmente unida ao céu, ou Apolo a Gaia, ou a Serpente ao Sol, em enlace último, como promessa dum novo mundo, a nascer.
O ser saudoso é o ser livre na necessidade, o ser da eternidade no tempo. O que traz para a lei da terra a lei do céu. Ou a eternidade para o devir.
E assim ao discurso se substituirá essa supra-razão e a unidade do paraíso de novo será atingida.
(...) só, aí, na brancura cintilante e doce (a tal inefável), do seu seio último. Semente do fruto. Trono do mundo. Coração do homem.
A saudade é o segredo de Apolo.»
Dalila Pereira da Costa, A Nova Atlântida (1977)
Tipo de Jogo:
Brasil,
Poesia Portuguesa,
Portugal,
saudade,
V Império
21.3.09
A Loba do Sol

«Anima mea
Estava a Morte ali, em pé, diante,
Sim, diante de mim, como serpente
Que dormisse na estrada e de repente
Se erguesse sob os pés do caminhante.
Era de ver a fúnebre bacante!
Que torvo olhar! que gesto demente!
E eu disse-lhe: «Que buscas, impudente,
Loba faminta, pelo mundo errante?»
- «Não temas, respondeu (e uma ironia
Sinistramente estranha, atroz e calma,
Lhe torceu cruelmente a boca fria).
Eu não busco o teu corpo... Era um troféu
Glorioso de mais... Busco a tua alma.» -
Respondi-lhe: «A minha alma já morreu.»
(...) sendo a Morte, sou a liberdade.
A ti, mulher, a ti [o Senhor] deu-te o mistério
De matar ou [e] dar vida...
Só, à luz da saudade, o passado aparece!»
Antero de Quental, Poesia Completa 1842-1891
18.3.09
O Espelho da Alma
«Crês a verdade; porque os bem-aventurados,
contemplam todos Deus, que é o Espelho, em que se
revela o teu pensamento ainda antes de o conceber.
Nos bem-aventurados o
sentimento e a inteligência são de igual valor (...)
pois que Deus iluminou com a luz
da sua sapiência e com o calor do seu amor,
nada é comparável a esta igualdade.»
Dante, Divina Comédia (Paraíso)
A luz da lembrança, o calor do desejo (da esperança)...
Saudade, manifestação de Deus no Homem.
«Pela Lembrança conhecemos o que fomos e pelo Desejo pressentimos o Futuro.
E a Saudade não morre, porque é feita da essência da Morte.»
Pascoaes
Saudade é Eterna Criança, nascida da Eternidade,
não se separa do Mar que a cria.
«Nós somos, na verdade, o único Povo que pode dizer que na sua língua existe uma palavra intraduzível nos outros idiomas, a qual encerra todo o sentido da sua alma colectiva.»
Pascoaes
«no espelho da tua alma»
Antero de Quental, Prosas da Época de Coimbra
Os olhos são a «janela da alma», pois é neles que a Luz do Mundo se espelha - a sua Alma, nossa.
contemplam todos Deus, que é o Espelho, em que se
revela o teu pensamento ainda antes de o conceber.
Nos bem-aventurados o
sentimento e a inteligência são de igual valor (...)
pois que Deus iluminou com a luz
da sua sapiência e com o calor do seu amor,
nada é comparável a esta igualdade.»
Dante, Divina Comédia (Paraíso)
A luz da lembrança, o calor do desejo (da esperança)...
Saudade, manifestação de Deus no Homem.
«Pela Lembrança conhecemos o que fomos e pelo Desejo pressentimos o Futuro.
E a Saudade não morre, porque é feita da essência da Morte.»
Pascoaes
Saudade é Eterna Criança, nascida da Eternidade,
não se separa do Mar que a cria.
«Nós somos, na verdade, o único Povo que pode dizer que na sua língua existe uma palavra intraduzível nos outros idiomas, a qual encerra todo o sentido da sua alma colectiva.»
Pascoaes
«no espelho da tua alma»
Antero de Quental, Prosas da Época de Coimbra
Os olhos são a «janela da alma», pois é neles que a Luz do Mundo se espelha - a sua Alma, nossa.
17.3.09
Sol-dade
«(...) que destinos nos consomem...
É teu peito, que doura as negras lousas...
Foi o Espírito, o fogo incandescente,
Que os baptizou ao lume da Ideia,
Por que possam pegar no grão de areia,
E mudá-lo num astro luzente...
São os tristes suspiros do Passado
Que se erguem desse chão, por toda a parte...
Irmãos! irmãos! amemo-nos! é a hora...
É de noite que os tristes se procuram,
E paz e união entre si juram...
Irmãos! irmãos! amemo-nos agora!
Tu, pensamento, não és fogo, és luz!
Caminhai para a estrela da alvorada
Nós damos à saudade o que é do tempo.
(...) o olhar... no Futuro!»
Antero de Quental, Odes Modernas
A Luz do Sol é a Luz de todo o Fogo do Passado da Terra.
A Humanidade (em conjunto com a Natureza) arde de Amor, dando assim à Luz a sua Alma-Paraíso.
O Som/Voz do Homem revela o seu Passado, tal como acontece com o Sol.
É a Saudade que guarda Inteiro o Passado do Homem: é a Saudade que é o Sol.
O Mar guarda os rios - todos os tempos, ardendo, luzindo. (A água do mar gera fogo.)
A par do Mar da Língua Portuguesa.
É teu peito, que doura as negras lousas...
Foi o Espírito, o fogo incandescente,
Que os baptizou ao lume da Ideia,
Por que possam pegar no grão de areia,
E mudá-lo num astro luzente...
São os tristes suspiros do Passado
Que se erguem desse chão, por toda a parte...
Irmãos! irmãos! amemo-nos! é a hora...
É de noite que os tristes se procuram,
E paz e união entre si juram...
Irmãos! irmãos! amemo-nos agora!
Tu, pensamento, não és fogo, és luz!
Caminhai para a estrela da alvorada
Nós damos à saudade o que é do tempo.
(...) o olhar... no Futuro!»
Antero de Quental, Odes Modernas
A Luz do Sol é a Luz de todo o Fogo do Passado da Terra.
A Humanidade (em conjunto com a Natureza) arde de Amor, dando assim à Luz a sua Alma-Paraíso.
O Som/Voz do Homem revela o seu Passado, tal como acontece com o Sol.
É a Saudade que guarda Inteiro o Passado do Homem: é a Saudade que é o Sol.
O Mar guarda os rios - todos os tempos, ardendo, luzindo. (A água do mar gera fogo.)
A par do Mar da Língua Portuguesa.
8.3.09
A Distância entre Som e Luz
Trindade - Mar, Luz, Sol:
O Sol irradia a Luz do Mar,
o Som irradia a Luz do Coração.
O Som nasce da Luz, como o Tempo da Eternidade.
Pelo nascimento, a separação.
A separação do que é igual.
Ah!, esta Saudade de Ser Luz!
Esta Saudade de Portugal!
A Palavra do Homem é a Ponte entre o Som e a Luz,
a Palavra que é o que é,
a Palavra que nos é Tudo.
Saudade!
Saudade do Sol!
Do Sol que é toda a Luz do Mar,
que é todo o Nosso Amor,
da Terra que é Mar:
da Ilha dos Amores.
«E fiquei de pé sobre a areia do mar.»
João - Apocalipse
No Som que é Luz: Sol, no Coração do Mar.
Eterno Em Mim, no Canto de Maria Bethânia
«Não há nada no mundo que possa fazer
Eu deixar de cantar
Ou deixar de gostar de você
Não há nada no mundo, nem nunca haverá
De mais alto ou mais fundo
O meu Canto é meu Céu
E Você é meu Mar
Duas coisas que dentro de mim
Não podem ter fim
Dois azuis no mesmo azul
Meu horizonte sem nuvem nem monte
Em mim o eterno é Música e Amor
Eu deixar de cantar
Ou deixar de gostar de você
Não há nada no mundo que possa fazer»
Caetano Veloso
O Sol irradia a Luz do Mar,
o Som irradia a Luz do Coração.
O Som nasce da Luz, como o Tempo da Eternidade.
Pelo nascimento, a separação.
A separação do que é igual.
Ah!, esta Saudade de Ser Luz!
Esta Saudade de Portugal!
A Palavra do Homem é a Ponte entre o Som e a Luz,
a Palavra que é o que é,
a Palavra que nos é Tudo.
Saudade!
Saudade do Sol!
Do Sol que é toda a Luz do Mar,
que é todo o Nosso Amor,
da Terra que é Mar:
da Ilha dos Amores.
«E fiquei de pé sobre a areia do mar.»
João - Apocalipse
No Som que é Luz: Sol, no Coração do Mar.
Eterno Em Mim, no Canto de Maria Bethânia
«Não há nada no mundo que possa fazer
Eu deixar de cantar
Ou deixar de gostar de você
Não há nada no mundo, nem nunca haverá
De mais alto ou mais fundo
O meu Canto é meu Céu
E Você é meu Mar
Duas coisas que dentro de mim
Não podem ter fim
Dois azuis no mesmo azul
Meu horizonte sem nuvem nem monte
Em mim o eterno é Música e Amor
Eu deixar de cantar
Ou deixar de gostar de você
Não há nada no mundo que possa fazer»
Caetano Veloso
Tipo de Jogo:
amor,
História de Portugal,
Ilha dos Amores,
Mãe-Terra,
mar,
Palavra,
Portugal,
saudade
17.2.09
No Princípio é a Saudade
«(…) a Dor, síntese do Amor e da Morte, é a própria essência da Poesia lusitana. As lágrimas duma Pátria caem sempre no coração dos seus poetas, para que eles as redimam nos seus cantos. Todo o canto é redentor. (…)
Eram tudo memórias… Sim… tudo é lembrança para o amor que deseja oculta a incerteza do futuro na certeza do que passou (…).
Há palavras que são estrelas. Pela análise da sua frouxa luz remota, podemos descobrir os sentimentos e pensamentos que a formam. Há certas palavras, como esperança, lembrança, amor, saudade, que representam as supremas cristalizações da alma universal, agindo através do homem. (…)
Uma palavra de Jeová fazendo a luz, é o símbolo eterno da verdade que afirmamos. In principio erat verbum… e o Verbo é a Saudade. (…)
As cousas e os seres vivem mais na nossa memória que diante dos nossos olhos. Existir não é pensar: é ser lembrado. E para ser lembrado, é preciso amar. Só o amor cria a substância imperecível em que a nossa imagem se desenha.»
Teixeira de Pascoaes, Os Poetas Lusíadas
Eram tudo memórias… Sim… tudo é lembrança para o amor que deseja oculta a incerteza do futuro na certeza do que passou (…).
Há palavras que são estrelas. Pela análise da sua frouxa luz remota, podemos descobrir os sentimentos e pensamentos que a formam. Há certas palavras, como esperança, lembrança, amor, saudade, que representam as supremas cristalizações da alma universal, agindo através do homem. (…)
Uma palavra de Jeová fazendo a luz, é o símbolo eterno da verdade que afirmamos. In principio erat verbum… e o Verbo é a Saudade. (…)
As cousas e os seres vivem mais na nossa memória que diante dos nossos olhos. Existir não é pensar: é ser lembrado. E para ser lembrado, é preciso amar. Só o amor cria a substância imperecível em que a nossa imagem se desenha.»
Teixeira de Pascoaes, Os Poetas Lusíadas
26.1.09
Si me está negado el amor
Si me está negado el amor
Rabindranath Tagore
Si me está negado el amor, ¿por qué, entonces, amanece;
por qué susurra el viento del sur entre las hojas recién nacidas?
Si me está negado el amor, ¿por qué, entonces,
la medianoche entristece con nostálgico silencio a las estrellas?
Cuanto tiempo dura mi viaje
Rabindranath Tagore
Cuánto tiempo dura mi viaje,
y qué largo es mi camino!
Salí en la carroza del primer albor,
y caminé a través de los desiertos de los mundos,
dejando mi rastro por las estrellas infinitas.
La ruta más larga es la que sale más pronto a ti,
y la más complicada enseñanza no lleva
sino a la perfecta sencillez de una melodía.
El viajero tiene que llamar, una tras otra,
a todas las puertas extrañas para llegar a la suya;
ha de vagar por todos los mundos de afuera,
si quiere llegar al fin a su santuario interior.
Mis ojos erraron por todos los confines
antes de que yo los cerrara diciendo: "Aquí estás".
Y el grito y la pregunta: "¡Ay!, ¿dónde?",
se derriten en las lágrimas de mil raudales
y ahogan el mundo con el desbordamiento de su "¡Yo soy!".
Los que me aman en este mundo
Rabindranath Tagore
Los que me aman en este mundo,
hacen todo cuanto pueden por retenerme;
pero tú no eres así en tu amor,
que es más grande que ninguno, y me tienes libre.
Nunca se atreven a dejarme solo, no los olvide;
pero pasan y pasan los días, y tú no te dejas ver.
Y aunque no te llame en mis oraciones,
aunque no te tenga en mi corazón,
tu amor siempre espera a mi amor.
26.11.08
Enxergar
A morte só dói enquanto não chega.
Para quem ficou. A quem assiste, impotente.
De quem partiu de nada vale ter pena.
A quem partiu deseja-se a paz
e o breve reencontro.
É, breve e derradeiro.
A vida só dói enquanto não chega.
Para quem ficou. A quem assiste, impotente.
De quem partiu de nada vale ter pena.
A quem partiu deseja-se a paz
e o breve reencontro.
É, breve e derradeiro.
A vida só dói enquanto não chega.
20.11.08
Carta aos afagos do Vento
Encurvo-me perante o silêncio do mar.
Olho para o horizonte e entrego-me à linha do destino.
Por vezes, a geografia é uma esquina escondida. Pensei que desta não o fosse.
Mas a distancia existe. Eu, aqui! Tu, aí!
Talvez um dia nos seja favorável. Talvez?
Talvez um dia nos seja favorável. Talvez?
Penso nas tuas palavras. Permanentemente!
Dizes que há demasiado sentir nas minhas linhas.
É natural! Faço amor com as palavras. É por elas que expresso o meu desejo e o meu querer.
Faço-o com toda a plenitude da minha livre vontade. Faço-o porque me sinto correspondido.
Não posso ansiar pelo teu abraço? Ou por descansar no teu peito?
Nem vale a pena dizer que não porque não o consigo impedir.
Sim. Eu sei que as circunstâncias são distintas. Mas sê-lo-ão para sempre? E mesmo que assim aconteça quer isso dizer que não sentimos o que sentimos? Quer isso dizer que os momentos que temos não foram intensamente sentidos?
Ah! Há alturas em que apenas nós somos. Tudo o resto jorra da nossa origem!
Contudo, também há, realmente, a possibilidade de abrandar.
Se te for necessário, jamais imporei a minha vontade. Mas as cores não voltarão a ser as mesmas nem nós voltaremos a ser iguais.
O que nos faz, toca-nos profundamente. Tanto que abala as colunas da existência pelo reconhecimento do que já houve.
É o antigo que chama por nós! E eu ouço esse canto.
Falaste-me em lágrimas no chão. Recordas?
Respondi-te que as tuas lágrimas tinham era caído no meu coração, onde as tinha recebido e guardado por serem manifestações do teu amor. Recordas?
Pois as tuas lágrimas já são um oceano de sentir no meu coração. E o tempo fará delas um universo. Porque eu vou ama-las e acarinha-las. Porque nelas também quero ser.
Só assim criaremos o, e no, MULTIVERSO.
Encurvo-me perante o silêncio do mar.
Venho aqui à procura dos afagos do vento. É por eles que sinto os teus beijos.
E peço-lhes, humildemente, que levem os meus até ti.
Sempre,
V.
in Comentários na face da Noite
Vicente Ferreira da Silva
13.11.08
Conselheiro
Coñecín a Batatinha por unhas gravacións feitas por un amigo meu, dun programa da radio. Fiquei emocionado ao escoitalo. Cando estiven no Brasil pasei muito tempo para conseguer o seu travallo póstumo. Alá cuase ninguén coñece, mas ao final achei.Quero compartillar este tema lindísimo de Batatinha por se algún de vós ainda non escoitou: é pura saudade.
Batatinha foi reporteiro gráfico dun xornal en Salvador da Bahía. Gostaba de reunirse con amigos en locais onde interpretava as súas composicións. Algúns temas do seu derradeiro disco, Diplomacia, puderon ser interpretados polo proprio Batatinha, coa voz desfalecida do que se morre. Outros temas foron interpretados por sonados artistas do Brasil, que prestaron a súa voz ás composicións de Batatinha, que tiña morto sen rematar o disco. Difícil encontrar un home tan humilde, sensible e de sentimentos tan profundos. É puro "feeling".
Obrigado Batatinha.
Ficarás na nosa memoria como home bon e xeneroso.
Queridos amigos, apreséntovos a un conselleiro do Rei da nosa Ilha da Vera Luz.
9.11.08
Saudade é Renascimento
«Nós somos, na verdade, o único Povo que pode dizer que na sua língua existe uma palavra intraduzível nos outros idiomas, a qual encerra todo o sentido da sua alma colectiva.
A tristeza lusitana é a névoa duma religião, duma filosofia e dum Estado, portanto. A nossa tristeza é uma Mulher, e essa Mulher é de origem divina e chama-se Saudade; mas a Saudade, no seu mais alto e divino sentido (...). A Saudade é o amor carnal espiritualizado pela Dor, ou o amor espiritual materializado pelo Desejo: é o casamento do Beijo com a Lágrima: é Vénus e Maria numa só Mulher: é a síntese do Céu e da Terra: o ponto onde todas as forças cósmicas se cruzam: é o centro do Universo: a alma da Natureza dentro da alma humana e a alma do homem dentro da alma da Natureza: a Saudade é a personalidade eterna da nossa Raça: a fisionomia característica, o corpo original com que ela há-de aparecer entre os outros Povos; e por ele, no Juízo Final, Deus a distinguirá dentre os outros Povos... A Saudade é a eterna Renascença, não realizada pelo artifício das artes, mas vivida, é a Manhã de Nevoeiro: a Primavera perpétua: é um estado de alma latente que amanhã será Consciência e Civilização Lusitana. Eis a nossa tristeza: o seu espírito são e divino.
Há na alma portuguesa um sentimento que (...) nasceu do casamento do Paganismo greco-romano com o Cristianismo judaico (...). Saudade é o desejo da Cousa ou Criatura amada, tornado dolorido pela ausência. (...). Pela esperança e pelo desejo, a Saudade é Vénus, pela dor e pela lembrança é a Virgem Dolorosa. Vénus é a flor dos árias; a Virgem a flor dos semitas; e agora, a Saudade é a nova Flor, a Flor d'Os Lusíadas, filha daquelas duas flores que perfumaram o mundo...»
Teixeira de Pascoaes
A palavra Saudade funde-se com a alma portuguesa, como sentimento íntimo que traduz, como lembrança que traz de um Passado comUm, Original. Não é mais uma palavra meramente externa, estrangeira, estranha, parcialmente racional, é uma palavra interna, profunda, sentida, inteira, eterna. Que nos transporta de novo ao lugar que já, ou ainda, não há. Ao lugar que somos e ao tempo sem idade a que pertencemos. É a perfeita palavra-ponte entre o Eu e o Outro, entre o que fui e o que serei, entre o silêncio e a palavra.
É o Rio que regressa ao Mar.
É a Distância que se desfaz no Desejo.
É a Dor que nos dá à Luz,
redentora.
É o Renascimento que nos conduz
ao Futuro.
Pela fusão entre Desejo e Dor ocorre o Renascimento, a criação do Ser por Si mesmo, unindo o momento da concepção ao do nascimento, o Nada ao Tudo. Do Ser Infinito.
Lusitano.
A tristeza lusitana é a névoa duma religião, duma filosofia e dum Estado, portanto. A nossa tristeza é uma Mulher, e essa Mulher é de origem divina e chama-se Saudade; mas a Saudade, no seu mais alto e divino sentido (...). A Saudade é o amor carnal espiritualizado pela Dor, ou o amor espiritual materializado pelo Desejo: é o casamento do Beijo com a Lágrima: é Vénus e Maria numa só Mulher: é a síntese do Céu e da Terra: o ponto onde todas as forças cósmicas se cruzam: é o centro do Universo: a alma da Natureza dentro da alma humana e a alma do homem dentro da alma da Natureza: a Saudade é a personalidade eterna da nossa Raça: a fisionomia característica, o corpo original com que ela há-de aparecer entre os outros Povos; e por ele, no Juízo Final, Deus a distinguirá dentre os outros Povos... A Saudade é a eterna Renascença, não realizada pelo artifício das artes, mas vivida, é a Manhã de Nevoeiro: a Primavera perpétua: é um estado de alma latente que amanhã será Consciência e Civilização Lusitana. Eis a nossa tristeza: o seu espírito são e divino.
Há na alma portuguesa um sentimento que (...) nasceu do casamento do Paganismo greco-romano com o Cristianismo judaico (...). Saudade é o desejo da Cousa ou Criatura amada, tornado dolorido pela ausência. (...). Pela esperança e pelo desejo, a Saudade é Vénus, pela dor e pela lembrança é a Virgem Dolorosa. Vénus é a flor dos árias; a Virgem a flor dos semitas; e agora, a Saudade é a nova Flor, a Flor d'Os Lusíadas, filha daquelas duas flores que perfumaram o mundo...»
Teixeira de Pascoaes
A palavra Saudade funde-se com a alma portuguesa, como sentimento íntimo que traduz, como lembrança que traz de um Passado comUm, Original. Não é mais uma palavra meramente externa, estrangeira, estranha, parcialmente racional, é uma palavra interna, profunda, sentida, inteira, eterna. Que nos transporta de novo ao lugar que já, ou ainda, não há. Ao lugar que somos e ao tempo sem idade a que pertencemos. É a perfeita palavra-ponte entre o Eu e o Outro, entre o que fui e o que serei, entre o silêncio e a palavra.
É o Rio que regressa ao Mar.
É a Distância que se desfaz no Desejo.
É a Dor que nos dá à Luz,
redentora.
É o Renascimento que nos conduz
ao Futuro.
Pela fusão entre Desejo e Dor ocorre o Renascimento, a criação do Ser por Si mesmo, unindo o momento da concepção ao do nascimento, o Nada ao Tudo. Do Ser Infinito.
Lusitano.
7.11.08
Negra Sombra
Sombra que não há sol capaz de a desfazer
Ou astro que não faz, nascendo, a luz do dia...Desgosto que não muda em dor algum prazer
Ou prazer que não muda a dor em alegria,
Eis a Saudade... a luz eterna que ilumina
O mar da nossa mágoa...
A mágoa non se pode eliminar polo sol do consciente, tan só se pode iluminar pola sentimento da saudade. Mas nestes versos, Teixeira de Pascoais non parece enxergar a posibilidade da redención. Veremos no resto do poema cál é a súa visión redentora.
Máis crú ainda é o poema de Rosalía de Castro para quen a negra sombra é un fado imposible de superar.
Compre agora preguntarse ¿de onde é que nos ven esta mágoa, esta negra sombra?
Ó Vénus da Aflição e dos Amores,
Ó Vénus da Tristeza e da Alegria!
..................................................
És o Estigma da Raça, seu perfeito
E límpido Sinal de Santidade...
Nestes versos, comprovamos como Teixeira de Pasoais identifica o estigma da raza con Venus e María.
¿Qué teñen estas deusas en común? e sobre todo ¿o por qué da súa aflición?
A aflicción de Venus (Afrodita) comparable á de María, non deve ser outra que aquela propiciada pola morte do seu amante Adonis (mito de Afrodita e Adonis).

Morte de Adonis. Matin de Vos - 1600.
Fundamentado nese mito, celebrávanse en Atenas as festas das Adonias, que duravan dous días e eran exclusivas das mulleres.
O primeiro día era de loito comunitario en Atenas. As mulleres saían á rúa con figuras de Adonis cadáver. Celebravan un funeral no que se batían a sí mesmas e se lamentava berrando, imitando así a aflición de Afrodita.
O segundo día se celebravan xogos e banquetes, en conmemoración da volta de Adonis do inframundo e a súa reunión con Afrodita.
Durante as Adonias as mulleres plantavan os xardíns de Adonis. Utilizavan plantas de rápido crecimento pero que morrían cedo polas escasas raíces. Cando se murchavan as plantas, botavan o xardín ao río, xunto coa imaxe de Adonis morto.
O estigma da raza portuguesa é a aflición de Afrodita-Venus e María (a dolorosa) pola morte de Adonis e Cristo. E a renascenza virá da mao da saudade:
Ó Saudade! Ó Saudade! Ó Virgem Mãe,
Que sobre a terra santa portuguesa,
Conceberás, isenta de pecado,
O Cristo da Esperança e da Beleza!
Temos por tanto que detrás da negra sombra está a morte do puer aeternus, e que a redención é imaxinada como vinda da resurección do puer aeternus. Supoño, pois me movo inseguro por istes desenvolvimentos da cultura portuguesa, que iste puer será o encoberto.
Mas esas intuicións deven ser realizadas nas nosas vidas. E aí é onde vexo eu o problema. ¿Qué deven facer as persoas nacidas co fado do puer? ¿identificarse con él sen separar a súa vida humana da vida do deus que morre e resucita en él? Iso facían os primeiros cristiáns que morrían mártires sufrindo a mesma morte do deus. E se me apurades, o proprio Xesús de Nazaret, o home, que asumiu o destiño do deus.
A renascenza, para que non sexa flor de un día, como a vida do puer aeternus, necesita algo máis que a intuición volátil. Esa é a tarefa individual e cultural que apremia para ser feita desde as nosas raices.
Cando experimentamos a negra sombra é a mater dolorosa en nós, quer dicer, a materia, o noso corpo falto de amor. Mas se a redenzón ven do puer, que é flor dun día, ¿non se xustifica o pesimismo de Rosalía de Castro?
Desde ese problema teremos que partir. E a miña intuición me dí que a chave é a saudade. Mellor ainda, un xeito de lidar coa saudade que sexa redentora.
Saudades do Futuro
Retomando, apenas pode haver Saudades do Futuro, visto o Futuro não ser mais do que o Regresso ao Passado. A saudosa Alma Lusa anseia pelo porvir, por estar fora do seu tempo, por se sentir de todos os tempos... assim como de nenhum.
O nostálgico («nostos», regresso e «algia», dor) não é, afinal, aquele que (apenas) se reencontra no Passado:
é o que ultra-passou o próprio tempo, é o que se já se encontra no Futuro. No Presente Primevo, o Real.
Sim, contraditório. Como tudo o que vive.
Isto, que agora vem, não é meu, mas é concerteza Nosso:
Sombra que não há sol capaz de a desfazer
Ou astro que não faz, nascendo, a luz do dia...
Desgosto que não muda em dor algum prazer
Ou prazer que não muda a dor em alegria,
Eis a Saudade... a luz eterna que ilumina
O mar da nossa mágoa...
Amar é a parte do beijo
Que não beija, mas chora...
A saudade é um sentimento misterioro
Que prende a nossa vida à vida que passou,
E que faz regressar um sovereiro idoso
À fecunda semente onde ele se criou...
Tu és a Eternidade, és a Perpetuação...
Por ti, volta a ser água a água que se evapora;
De toda a fria cinza és a Ressurreição;
Por ti, a luz do sol regressa à sua aurora...
Maria há-de chamar a Vénus sua irmã...
(...)
É preciso ligar, fundir na mesma luz
A alegria da Flora e a Paixão de Jesus...
Navios onde vai ao leme a Saudade...
E Vénus, numa névoa etérea e vaporosa
Elevou-se na luz da tarde lacrimosa.
E para o Olimpo azul, em lágrimas, subia,
Projectando na terra a sombra de Maria...
... Eu ouço, por encanto,
Os passos da Saudade... que às estrelas,
Ao infinito, às nuvens se dirigem....
Tristeza do Infinito e da Distância!
Santa tristeza cósmica de Deus!
Calma tristeza ideal da Eternidade!
Tristeza do Indeciso, do Princípio!
Do Vago, do Crepúsculo!...
Eu bem te sinto em mim, pois também sou
Indecisão, crepúsculo e incerteza!
Sou princípio de vida e fim de vida;
Uma aurora e um poente, à mesma hora...
Ó Vénus da Aflição e dos Amores,
Ó Vénus da Tristeza e da Alegria!
Sombra do nosso corpo e nosso espírito!
Vénus, Maria, ou, antes, a Saudade...
És a Senhora da Esperança nova,
A Vénus Virginal do novo Amor!
Tu és o amor carnal já transcendente,
Já pela asa do Espírito tocado!
Tens nos lábios o beijo que se chora,
E a lágrima infinita que se beija
Nos olhos...
És o Estigma da Raça, seu perfeito
E límpido Sinal de Santidade...
Ó Saudade! Ó Saudade! Ó Virgem Mãe,
Que sobre a terra santa portuguesa,
Conceberás, isenta de pecado,
O Cristo da Esperança e da Beleza!
A Virgem da Saudade; a Glória, a Graça,
O místico Esplendor da nossa terra,
Sua Flor evangélica e divina.
Em seu ventre fecundo unificava
A Morte e a Vida, o Tempo e a Eternidade,
Espírito adorado e Corpo amante!
E não tinha a Saudade a sua origem
Remota neste Céu misterioso,
Nesta bela Paisagem transcendente?
E a sua origem próxima e sensível
Na alma profunda, mística e vidente
Deste Povo do Mar e da Montanha?...
És a Virgem ideal da Renascença;
Da Renascença edénica e profunda;
Da Renascença universal do Ser
Que, em ti, regressa à Forma primitiva,
Harmoniosa e sã, para criar
O novo amor divino que já nasce,
Que já alumia, embora vagamente,
Os contornos ideais dum novo mundo...
Teixeira de Pascoaes
O nostálgico («nostos», regresso e «algia», dor) não é, afinal, aquele que (apenas) se reencontra no Passado:
é o que ultra-passou o próprio tempo, é o que se já se encontra no Futuro. No Presente Primevo, o Real.
Sim, contraditório. Como tudo o que vive.
Isto, que agora vem, não é meu, mas é concerteza Nosso:
Sombra que não há sol capaz de a desfazer
Ou astro que não faz, nascendo, a luz do dia...
Desgosto que não muda em dor algum prazer
Ou prazer que não muda a dor em alegria,
Eis a Saudade... a luz eterna que ilumina
O mar da nossa mágoa...
Amar é a parte do beijo
Que não beija, mas chora...
A saudade é um sentimento misterioro
Que prende a nossa vida à vida que passou,
E que faz regressar um sovereiro idoso
À fecunda semente onde ele se criou...
Tu és a Eternidade, és a Perpetuação...
Por ti, volta a ser água a água que se evapora;
De toda a fria cinza és a Ressurreição;
Por ti, a luz do sol regressa à sua aurora...
Maria há-de chamar a Vénus sua irmã...
(...)
É preciso ligar, fundir na mesma luz
A alegria da Flora e a Paixão de Jesus...
Navios onde vai ao leme a Saudade...
E Vénus, numa névoa etérea e vaporosa
Elevou-se na luz da tarde lacrimosa.
E para o Olimpo azul, em lágrimas, subia,
Projectando na terra a sombra de Maria...
... Eu ouço, por encanto,
Os passos da Saudade... que às estrelas,
Ao infinito, às nuvens se dirigem....
Tristeza do Infinito e da Distância!
Santa tristeza cósmica de Deus!
Calma tristeza ideal da Eternidade!
Tristeza do Indeciso, do Princípio!
Do Vago, do Crepúsculo!...
Eu bem te sinto em mim, pois também sou
Indecisão, crepúsculo e incerteza!
Sou princípio de vida e fim de vida;
Uma aurora e um poente, à mesma hora...
Ó Vénus da Aflição e dos Amores,
Ó Vénus da Tristeza e da Alegria!
Sombra do nosso corpo e nosso espírito!
Vénus, Maria, ou, antes, a Saudade...
És a Senhora da Esperança nova,
A Vénus Virginal do novo Amor!
Tu és o amor carnal já transcendente,
Já pela asa do Espírito tocado!
Tens nos lábios o beijo que se chora,
E a lágrima infinita que se beija
Nos olhos...
És o Estigma da Raça, seu perfeito
E límpido Sinal de Santidade...
Ó Saudade! Ó Saudade! Ó Virgem Mãe,
Que sobre a terra santa portuguesa,
Conceberás, isenta de pecado,
O Cristo da Esperança e da Beleza!
A Virgem da Saudade; a Glória, a Graça,
O místico Esplendor da nossa terra,
Sua Flor evangélica e divina.
Em seu ventre fecundo unificava
A Morte e a Vida, o Tempo e a Eternidade,
Espírito adorado e Corpo amante!
E não tinha a Saudade a sua origem
Remota neste Céu misterioso,
Nesta bela Paisagem transcendente?
E a sua origem próxima e sensível
Na alma profunda, mística e vidente
Deste Povo do Mar e da Montanha?...
És a Virgem ideal da Renascença;
Da Renascença edénica e profunda;
Da Renascença universal do Ser
Que, em ti, regressa à Forma primitiva,
Harmoniosa e sã, para criar
O novo amor divino que já nasce,
Que já alumia, embora vagamente,
Os contornos ideais dum novo mundo...
Teixeira de Pascoaes
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